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Rivethead


O Rivethead é um fã de Música industrial. A tradução literal da palavra é "cabeça de rebite".


A Origem do Termo

Quem foi o primeiro usar o termo Rivethead? Há um conscenso no rec.music.industrial que foi Chase, fundador da Re-Constriction Records, uma subdivisão da Cargo Music especializada em Música industrial. No começo nos anos 1990 Chase lançou Rivet Head Culture, uma coletânea reunindo vários grupos underground da cena Industrial americana. Essa é supostamente a primeira vez que se usou oficialmente a palavra "rivethead" com a contracultura Industrial. O problema dessa afirmação é que no mesmo ano que Rivet Head Culture a dupla Chemlab - por sinal, amigos do Chase - lança Burn Out at the Hydrogen Bar (1993). E esse disco tinha uma faixa intitulada "Rivethead".

Quando perguntado sobre a origem de "Rivethead" o vocalista do Chemlab (Jared Louche) se limitando a dizer que não sabe bem da onde surgiu, mas não deixa de dizer que há anos já estava com esse título na cabeça. De sua parte Chase admite que não inventou a palavra, mas confirma que foi ele que a popularizou. As origens reais do termo, dentro do Rock, talvez estejam na banda Iron Maiden - seus fãs já no começo dos anos 1980 eram chamados de "rivetheads". Fora do universo pop, o termo já era usado como uma gíria, um apelido para operários americanos dos anos 1940. O termo ganhou popularidade nos EUA com a publicação de Rivethead: Tales From the Assembly Line (1990), de Ben Hamper.

A Cultura Rivethead


Subcultura vs. Contracultura

Antes mais nada, é preciso é esclarecer que em torno da Música industrial não há uma subcultura, e sim uma contracultura. Um dos primeiros ideólogos do movimento, Graeme Revell (ex-SPK), refere-se à Música industrial assim. Veremos o por quê agora.

Apesar de admitir que "…a distinção entre subcultura e contracultura pode ser sutil, e passível de discussão", Ken Goffman - vulgo R.U. Sirius, ex-editor da revista cyberpunk Mondo 2000 - afirma que "as subculturas normalmente são definidas por um tipo de conformismo alternativo ou minoritário". Um exemplo perfeito disso são os Indies, que canalizam seu vanguardismo e "rebeldia" única e exclusivamente para fins musicais, de resto não sendo nada contestadores. Não é o caso da Música industrial, onde há uma contestação frontal a todos os valores vigentes da sociedade Ocidental.

Do lado mais acadêmico da discussão, a historiadora Luisa Passerini lembra porque a aplicação do termo "subcultura" foi bem-sucedido nas ciências humanas: além não parecer "implicar um juízo demasiado duro" ele "sublinhava as características de subordinação e diferença"


História


Apesar da "cultura" Industrial existir desde o final dos anos 1970 (graças a grupos como Throbbing Gristle, SPK e Cabaret Voltaire), foi só no começo dos anos 1990 que o Rivethead se organizou, de fato, como uma tribo urbana. Ou seja: finalmente apresentou um conjunto mais ou menos coerente de vestimentas, preferências músicais, linguajar (gírias) e ideologias próprias.

No seu livro sobre o Nine Inch Nails, o jornalista inglês Tommy Udo descreve uma das primeiras aparições de Rivetheads na imprensa musical. Ele os avistou num show do Guns N' Roses no estádio de Wembley em Londres, em Agosto de 1991. A razão deles estarem por lá era a banda de abertura: o Nine Inch Nails (naquela época ainda divulgando o Pretty Hate Machine). É assim que Udo descreve esses "pós-góticos":

"A maioria eram homens ou casais (…). Tinham a cabeça raspada e vestiam sobretudos de couro; um tinha até uma máscara de gás e uma roupa de proteção radioativa da OTAN, com o logotipo do NIN pichado nas costas".


Características Gerais


Nas suas várias definições, disponíveis no site Urban Dictionary, se destacam:

* "Ouvintes de Música industrial. Caracterizados por Ideação Futurista, Afeto Distópico, Elitismo e vestuário Militar".


Críticas


Muitos dos fãs de Música Industrial "Oldschool" e Power Electronics acham que a cena Industrial/Noise não deve ser associada á grupos juvenis ou "tribos urbanas", tal associação seria danosa á contracultura industrial - qual não necessitaria de "representantes", assim como de elementos de declínio - como ocorrera em relação á outros movimentos contraculturais como fora o Hippie,Beatnik e Punk.

Genesis P-Orridge, membro fundador do Throbbing Gristle, descreve os Rivetheads de um jeito mais sarcástico:

"A maioria são homens que calçam botas da Doctor Marten’s e vestem casacos negros de couro, calças militares e pintam o cabelo de preto ou cortam-no ao estilo skinhead. Eles têm um coleção de livros sobre assassinatos e crimes sexuais. Eles gravam sua música - que é basicamente microfonia - em fitas K7. E reclamam do Throbbing Gristle ter acabado".

Rivethead ultimamente tem ganhando uma reputação extremamente negativa pelos fãs das vertentes mais extremas da música Industrial devido á crença que tais indivíduos seriam responsáveis pela desastrosa situação que o termo Música Industrial adquiriu nas últimas décadas, uma situação de extrema regressão conceitual, aonde o protesto, o experimentalismo e a agressividade típica do industrial fora reciclada e embalada como um produto qualquer, perdendo todas as características básicas que o definiam como estilo ( sendo assim um processo de regressão, onde o experimentalismo e o espírito de evolução artística fora trocada por uma manifestação extremamente pobre e superficial). Porém tal crítica não se refere somente aós rivetheads, mas tambem á todas as cenas e tribos urbanas que possam manter alguma relação com o "Industrial".


Estética


Há quem diga que um típico fã de Música industrial não escolhe ter uma vestimenta específica. Isso é uma excelente estratégia para evitar os esteréotipos que praticamente acabaram com os Punks e os Hippies.

Há outros, no entanto, que defendem que sim, existe um código visual para os Rivetheads. Os detalhes dessa vestimenta padrão serão discutidos no tópicos abaixo.



A Cor Negra



É óbvio, mas é preciso dizer isso: os Rivetheads não são a única tribo urbana preferem usar preto. Entre as outras tribos que partilham sua preferência pela vestuário de cor negra estão os Góticos, os Headbangers e alguns Punks mais radicais



Militarismo


Convencidos por Monte Cazzazza, o Throbbing Gristle foi o primeiro grupo a estabelecer roupa de camuflagem como estética contracultural. Os Punks já tinham flertado com o visual militarista (botas de combate, por ex.), mas nada no mesmo nível que o Throbbing Gristle.

A estética militar foi levada à outros novas alturas pelo Front 242, que eram inspirados - paradoxalmente - tanto pelo Futurismo Italiano quanto o Construtivismo Russo. E por quê "paradoxalmente"? De um lado temos o Futurismo, com seu elogio á guerra, á tecnologia e seu flerte com o Fascismo Italiano. De outro temos a arte despojada do Construtivismo Russo, á serviço da cúpula Soviética. É a velha tática da ambigüidade sendo posta em prática.

O visual militar passa um misto de disciplina, poder e agressão. Além disso, é uma declaração implícita de ser capaz de encarar a "realidade" de frente. O uso de fardas por parte dos Rivetheads é também uma sacada irônica, já que a contracultura Industrial é em grande parte antimilitarista.

O Chachol (ou chochol, ou khokhol) é um corte de cabelo Eslavo típico dos Cossacos, guerreiros Ucranianos que emigraram para a Rússia no século XVIII. Os Cossacos fizeram parte do exército Soviético, e foi talvez daí que alguns "Industrialistas" o adotaram. Esse corte também é conhecido em inglês como undercut.

Esse corte de cabelo é assim: o couro cabeludo dos lados da cabeça é raspado, sobrando assim com uma longa mecha de cabelo no topo da cabeça. Algumas pessoas que já usaram variações desse corte são: Blixa Bargeld, do Einstürzende Neubauten; Ogre, do Skinny Puppy; Al Jourgensen do Ministry e Burton C. Bell do Fear Factory



Modern Primitives


Outra tendência estética que teve forte influência sobre o visual Rivethead foi chamado Modern Primitive. Um exemplo dessa estética são os Dreadlocks ("cachos do medo"), normalmente associados à músicos de Reggae e/ou praticantes da religião Rastafári. No entanto, vários músicos da cultura Industrial adotaram esse estilo de cabelo, incluindo membros do Nine Inch Nails (Trent Reznor), Pigface (Chris Connely), Ministry (Al Jourgensen), Apoptygma Berzerk (Angel Stengel) e Deathstars. Isso talvez se deva talvez a uma aderência aos princípios estéticos (e "filosóficos"?) dos Modern Primitives, aqueles que trouxeram piercings, tatuagem e a scarificação (esse último em menor grau) para o mainstream.



Fetichismo


Segundo o DSM-IV, o fetichismo consiste "em fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexualmente excitantes" envolvendo "o uso de objetos inanimados". O fetichismo é uma sub-categoria das Parafilias, das quais incluem o Travestismo Fetichista, o Masoquismo e o Sadismo Sexual (assim classificadas assim quando prejudicam socialmente e psiquicamente o indivíduo).

No caso de artistas do gênero Industrial, eles exploram esses temas dentro da diretiva das táticas de choque. Entre eles incluem o COUM Transmissions (predecessor do Throbbing Gristle), o DAF, Marilyn Manson e Nine Inch Nails.


Cinema


Drama

Uma boa pedida é O Maquinista (2004), de Brad Anderson. O filme narra a história de um maquinista que não dorme há um ano, corroído pela culpa e sofrendo de delírios persecutórios. O nome personagem principal do filmes, Trevor Reznik (Christian Bale), é quase um anagrama de Trent Reznor. Não é coincidência; o roteirista do filme (Scott Kosar) é fã do Nine Inch Nails, e queria inclusive usar a música do grupo como trilha sonora



Outros


O cinema pós-surrealista de David Lynch e David Cronemberg foi influente para os artistas norte-americanos do estilo, incluindo gente como Skinny Puppy, Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Marilyn Manson. Na obra desses dois cineastas se vê o que o crítico Mark Dery chamou de "a estética do Neogrotesco".



David Lynch


Uma cena de Eraserhead (1977) foi usada no encarte do primeiro EP do Godflesh



David Cronemberg



Bill Leeb (do Front Line Assembly) diz que gostaria de fazer a trilha de um filme de David Cronemberg.

Trent Reznor citou Cronemberg ao tentar explicar à revista Raygun como sairía o The Fragile. "Eu diria que o (The Fragile) está mais para um filme de David Cronemberg do que Tetsuo: O Homem de Ferro"


Literatura


Assim como o cinema, a literatura foi igualmente inspiradora para o movimento. Um sub-tipo de literatura especialmente inspiradora para a Música industrial foram as chamadas distopias. Dentre elas destacam-se:

* Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley.
* 1984 (1948), de George Orwell.
* Laranja Mecânica (1962), de Anthony Burgess.
* Os autores da chamada New Wave of Science Fiction, desenvolvida inicialmente nos anos 1960, com o destaque para Philip K. Dick, William S. Burroughs e J. G. Ballard.
* Os cyberpunks dos anos 1980, especialmente William Gibson e seu apoteótico Neuromancer (1984).

Indies


Isolamento, incontenstação, poucas palavras, experimentalismo e atitude nada amigável. Essas são algumas características de uma tribo que busca ser original e nada convencional da vida cotidiana de uma sociedade.
Influenciados por um período na década de 50, em que houve a explosão do gênero rock'n roll e as grandes gravadoras não conseguiam lidar com a quantidade de novas bandas que saiam pelos ralos, esse tipo de "Tsunami" fez com que muitos desafiadores entrassem no mercado fonográfico por outros meios, usando o próprio dinheiro e com uma atitude contrária as obediências impostas pelos empresários das majors. O significado: Independentes
Isso poderia ter a conotação de uma nova "Revolução dos Farrapos", mas o que esse conceito realmente quer dizer é andar na contramão do que segue os padrões do dia-a-dia.

Essa forma de vida foi crescendo e adquirindo mais adeptos. Hoje, o termo independente foi abreviado para indie e engloba não só a música, mas o estilo de vida, moda, comportamento e até a alimentação.

Muitos descrevem os indies como pessoas frias e mal-humoradas. Outras imaginam que tudo não passa de mais uma moda comportamental que terá vida curta, assim como foi com o punk, o hippie e o hip hop. Só que, ao contrário do que se encontra hoje, há cada vez mais adeptos desse estilo de vida.
São pessoas que possuem um conhecimento musical vasto - e é necessário cuidado quando tratar de assuntos relacionados à música com elas. Os indies conhecem tudo e sabem tudo sobre as bandas e músicos espalhados no submundo cultural do planeta.

Hoje, há baladas, lojas de roupas, festivais musicais e até restaurantes criados especialmente para o público indie, que é exigente e possui um grande conhecimento cultural.

No entanto, o que mais incomoda os antigos adeptos é a possibilidade de sua cultura se tornar popular e cair na mesmice. Isso porque, o verdadeiro indie procura preservar intimamente sua vida. Essa forma ímpar de ser é o ponto fundamental para fazer parte deste "clã".

Com tantas teorias e comparações à cultura indie, o melhor mesmo é aumentar o seu conhecimento, decifrando qual o tipo de roupa adequada a usar, o que ouvir, como agir no cotidiano e, principalmente, onde se divertir.

Aproveite e desfrute essas informações para depois definir se você é ou não indie, ou ainda se pretende fazer parte deste universo.


Uma cultura que deseja ser esquecida

O indie é uma contradição

A palavra que define essa cultura vem do termo "independente", surgido nos anos 50 nos Estados Unidos, após a criação dos primeiros selos musicais livres das grandes gravadoras. Agora abreviado, ele se refere a um estilo de vida que engloba música, moda, comportamento, mito e lugar.

Normalmente, o sujeito identificado como indie se orgulha de gostar de bandas que poucas pessoas conhecem, reforçando a idéia de tribo restrita e que venera nomes obscuros de países esquecidos no mapa do mainstream.

Na verdade, o termo já se tornou objeto de provocação entre diferentes seguimentos, e é quase um tabu se assumir como tal. Isso acontece porque se tornar popular, digerível, é o que mais incomoda estes sujeitos (admiradores e músicos), normalmente cultos e pouco abertos.

Outras facções, como o punk, já buscavam um ideal de contestação dos padrões criativos propagados pelos meios de comunicação. Porém, eles queriam chocar a sociedade e mudar os costumes de uma sociedade. Enquanto isso, os indies se reservam e não querem dividir seu mundo. Eles mostram que ter um gosto apurado importa mais que a postura.

Acreditar que os bons sons só podem ser feitos por conjuntos livres, sem serem subjugados por demandas das gravadoras, é o preceito que move suas buscas por novidades experimentais, que quebram as barreiras do comum e da mesmice cultural.
Os Beatles, antes da fama, poderiam ser considerados alternativos, já que executavam uma sonoridade pouco convencional e seu público inicial era resumido a grupos de marinheiros, freqüentadores de locais desorganizados e simples.
Hoje, estes conjuntos utilizam a internet como principal meio de troca de informações. O site MySpace é considerado o Orkut do movimento e grande instrumento de divulgação, pois além de ser uma página pessoal, com espaço para fotos e preferências, traz também um lugar para as gravações caseiras de amadores e profissionais do mundo inteiro.
Antes da virtualização, um dos marcos da história na transição do underground à fama aconteceu com o Nirvana, até então uma banda de garagem de Seattle, que depois se transformou em um dos maiores fenômenos do rock dos anos 90 e ícone do movimento grunge.

Com tantas teorias e comparações à cultura indie, o melhor mesmo é aumentar o seu conhecimento, decifrando qual o tipo de roupa adequada a usar, o que ouvir, como agir no cotidiano e, principalmente, onde se divertir.

Aproveite e desfrute essas informações para depois definir se você é ou não indie, ou ainda se pretende fazer parte deste universo.


Cronologia das bandas

Para entender a cena, nada melhor do que contar sua história

O termo indie, como conhecemos hoje, começou a ser utilizado em meados dos anos 70 e 80 e se referia aos músicos que não eram estritamente punks, mas que apreciavam experimentações musicais rebeldes.

Entre os expoentes deste pop esquizofrênico estão The Velvet Underground, Television, além do Sonic Youth, Violent Femmes, Pixies e My Bloody Valentine. Eles adquiriram força a partir do surgimento do Nirvana, propulsor da criação do estilo post-rock e causaram uma superação dos padrões tradicionais que incorporava todo tipo de distorções.
Os filhos desta fonte são Tortoise, Yo La Tengo, Stereolab e Belle & Sebastian, que abusaram do minimalismo e de linguagens metafóricas.

Atualmente, as heranças das décadas passadas se confundem com os timbres elaborados das novas bandas, como é o caso do Radiohead, The Strokes, Scissor Sisters e Arcade Fire.


O experimentalismo do universo fashion

Visual retrô ou roupas com várias cores do tempo da vovó

Em um universo marcado por modismos e novas tendências, fugir dos padrões acaba sendo regra na cultura indie. Portanto, não se assuste caso encontre pela rua grupos de pessoas que criam estilo próprio de se vestir. Nesse caso, a pouca combinação, o excesso de cores e peças do tempo da vovó são muito bem-vindas. E por que não?
Para a estudante de moda, Maria Fernanda de Mello, o universo indie é fortemente inspirado no universo fashion da década de 60. "Paletós, muito xadrez e tecidos diferentes figuram entre o público desta tribo".

Lugares preferidos para se fazer compras? Certamente os brechós.
Aqueles que fazem a linha mais retrô têm sempre no guarda-roupa ternos das mais variadas estampas e estilos. De cores fortes a listras e xadrez, quanto mais antigo melhor. Os jeans de cintura baixa e bem justos e as camisetas surradas também são característicos entre esse público. Vale abusar das cores fortes e estampas chamativas, que vão desde frases em inglês a imagens de sua banda favorita.
Entre os indies mais modernos, a grife Adidas acaba sendo muito mais do que um simples acessório. A marca está presente tanto nos calçados quanto nas camisetas e jaquetas, formando um estilo "esporte chique" moderno.

Se você encontrar pelas ruas alguém com um corte de cabelo pra lá de exótico e tiver a sensação de que a pessoa mandou a ver na tesoura sem a ajuda de um profissional, não se assuste. Você pode estar diante de um indie. Alguns preferem usar e abusar de cortes inspirados no visual de bandas britânicas dos anos 60. Escolher, por exemplo, o Beatle favorito e cortar o cabelo igual ao dele é uma tendência. As franjas desfiadas e de tamanhos diferentes também são comuns. Estes tipos de cortes, que seguem a linha underground, vêm acompanhados pelas costeletas ou até mesmo os tradicionais "mullets"? da década de 80.
Ao contrário do que muita gente possa imaginar, o All Star é um acessório abominado pela maioria dos indies, que o associam como um instrumento rotulativo do universo grunge. Será? Para eles, as botas e os sapatos tirados do fundo do baú são a melhor opção. Mas isso também não pode ser encarado como regra, já que muitos fazem do famoso tenis da estrela uma peça indispensável no guarda-roupa.
As mulheres podem seguir a linha da vocalista do Yeah Yeah Yeahs, Karen O, Nick Zimmer, e fazer do vestido sua grande ferramenta visual, com cortes na altura do joelho e cores fortes. Eles têm estampas variadas e tecidos diferenciados. Nesse caso, o que vale mesmo é a criatividade.
Se para outras tribos os óculos não passam de um complemento, para os indies são muito mais do que fundamentais. Do estilo Ray Ban às armações coloridas e lentes diferentes, o acessório garante um visual cult.


Os mandamentos para ser um típico alternativo

1. O mais importante neste meio é ter um vasto conhecimento musical, que possa causar inveja nos mais profundos conhecedores de rock;

2. É preciso abusar de programas de trocas de arquivo de MP3 pela internet para "caçar" sons do mundo todo. Entre as sugestões: Soulseek, Emule e Kazaa;

3. Para conhecer bandas que ainda não saíram da garagem, mas logo estarão na mídia, seja um assíduo leitor de veículos sobre novos sons, como os cultuados Pitchfork e New Musical Express;

4. Não é bom assumir que sua coleção de CDs é bem maior que a de vinis. Um indie valoriza os bolachões, especialmente as edições raras e desconhecidas;

5. Indie é alguém que nunca chegou ao extremo de ser punk, mas gosta de fazer parte de uma banda desconhecida;

6. As baladas deste grupo devem ser restritas, ou seja, quanto menos gente melhor, já que as aglomerações não são bem-vindas e tornam-se popular;

7. Muito raramente eles se deslocam para grandes festivais e somente o fazem para ver bandas cultuadas entre os intelectuais;

8. Não se assuste se você for a alguma casa noturna deste tipo e o DJ estiver "discotecando" vozes distorcidas com batuques ao fundo. O melhor é fazer cara de tédio por detrás de um óculos estilo "vintage";

9. Indies normalmente não gostam de puxar conversa ou distribuir sorrisos aos estranhos, e isso lhes confere a fama de mal-educados. Porém, os especialistas advertem que tudo não passa de pose.

10. Esqueça a churrascada e o rodízio nos finais de semana. O prazer gastronômico de um indie baseia-se em pratos vegetarianos, seguindo o mesmo estilo de refeição das grandes estrelas da musica como o Morrisey, Moby, Michael Stipe e Chrissie Hyndie. Ou seja, é uma tribo de pessoas magras.


Serviços

Confira alguns estabelecimentos freqüentados pelos apreciadores da cultura indie

São Paulo

Susi in Transe
Milo Garage
Berlin Bar
Hangar 110
Rose Bom Bom
D-Edge (On The Rocks, toda segunda-feira)
A Lôca
Madame Satã
Studio SP
Matrix Bar & Café
Outs
Vegas Club
Black Jack Rock Bar
Juke Joint
Fun House
Kat Pub
Hole Club
Tribe House
Sarajevo
A Torre
DJ Club

Emos


Emo ou Emocore (abreviação do inglês emotional hardcore) é um gênero de música derivado do hardcore punk. O termo foi originalmente dado às bandas do cenário punk de Washington, DC que compunham num lirismo mais emotivo que o habitual.


Origem

Existem várias versões que tentam explicar a origem do termo "emo", como a que um fã teria gritado "You´re emo!" (Você é emo!) para uma banda (os mitos variam bastante quanto a banda em questão, sendo provavelmente o Embrace ou o Rites of Spring).

No entanto, a versão mais aceita como real é a de que o nome foi criado por publicações alternativas como o fanzine Maximum RocknRoll e a revista de Skate Thrasher para descrever a nova geração de bandas de "hardcore emocional" que aparecia no meio dos anos 80, encabeçada por bandas da gravadora Dischord de Washington DC, como as já citadas Embrace e Rites of Spring, além de Gray Matter, Dag Nasty e Fire Party.

Nesta época, outras bandas já estabelecidas de hardcore punk, como 7 Seconds, Government Issue e Scream também aderiram à esta onda inicial do chamado "emocore", diminuindo o andamento, escrevendo letras mais introspectivas e acrescentando influências do rock alternativo de então.

É importante lembrar que nenhuma destas bandas jamais aceitou ou se autodefiniu através deste rótulo. A palavra "Emo" é vista como uma piada ou algo pejorativo e artificial.

O gênero (ou pelo menos o clássico estilo de Washington, o DC sound) primeiramente explorado por bandas como Faith, Rites of Spring e Embrace tem suas raízes no punk rock.


Evolução

O próximo passo na evolução do gênero veio em 1982 e durou até 1993 com as bandas Indian Summer, Moss Icon, Policy of Three, Still Life e Navio Forge. A dinâmica calmo/gritado ("quiet/loud") frequentemente ouvida em bandas recentes tais como Saetia e Thursday tiveram suas raízes nestas bandas. No que diz respeito a voz, essas bandas intensificaram o estilo emocore. Muitas delas sempre fizeram uso de berros e gritos durante a apresentação, e motivo para muitos fãs de hardcore punk depreciarem os fãs de emo como "molengas" ("wimps", "weaklings").

Assim como foi infundida uma nova intensidade para o emocore, o emotional hardcore levou essa intensidade a um nível extremo. A cena teve início entre 1991 e 1992 com as bandas Heroin, Portraits of Past e Antioch Arrow que tocavam um estilo caótico, com vocais abrasivos e passionais.

Após a supervalorização inicial da intensidade e da sonoridade caótica, o emotional hardcore sofreu um processo de "desacelaração". As bandas Sunny Day Real Estate e Mineral basearam seu estilo no Rites of Spring, outra banda do gênero emo.

Nota-se uma nova tendência emo em abandonar o punk rock distorcido em favor de calmos violões. Na cultura alternativa diz-se que alguém é ou está emo quando demonstra muita sensibilidade.


Chegada ao Brasil

No Brasil, o gênero se estabeleceu sob forte influência norte-americana em meados de 2003, na cidade de São Paulo, espalhando-se para outras capitais do Sul e do Sudeste, e influenciou também uma moda de adolescentes caracterizada não somente pela música, mas também pelo comportamento geralmente emotivo e tolerante, e também pelo visual, que consiste em geral em trajes pretos, trajes listrados, Mad Rats (sapatos parecidos com All-Stars), cabelos coloridos e franjas caídas sobre os olhos.

Existe também a categoria "Emo Fruits", que foi baseada numa moda do Japão, os conhecidos como J-Pops, de onde eles tiram referência de roupas e cabelos. São normalmente muito coloridos, usando várias estampas e cores fortes ao mesmo tempo.


Aceitação social

O termo fluentemente chamado de emo já tornou-se pejorativo e a aceitação social modificou-se durante os anos. Hoje em dia, em certos lugares não é legal usar o termo emo para referirmos ao povo adepto à essa cultura. O termo pode ser mal-compreendido em um lugar como, por exemplo, um shopping center, já que a presença desse povo (que não gostam de serem chamados assim) nesses locais já é de praxe.

É bom reforçar que, apesar do termo ter se tornado pejorativo, alguns emos gostam de ser chamados assim. O melhor a fazer é evitar.

Hippies


Os "hippies" (no singular, hippie) eram parte do que se convencionou chamar movimento de contracultura dos anos 1960 tendo relativa queda de popularidade nos anos 1970 nos EUA, embora o movimento tenha tido muita força em países como o Brasil somente na década de 70. O movimento foi encerrado no Brasil entre os anos de 1982 e 1990, pois o presidente da época não estava aturando o uso excessivo de drogas lícitas e ílicitas, além de provocações verbais com os cidadãos que não eram a favor.

Uma das frases ideomáticas associada a este movimento foi a célebre máxima "Paz e Amor" (em inglês "Peace and Love") que precedeu á expressão "Ban the Bomb" , a qual criticava o uso de armas nucleares. Mais info

As questões ambientais, a prática de nudismo, e a emancipação sexual eram ideias respeitadas recorrentemente por estas comunidades.

Adotavam um modo de vida comunitário, tendendo a uma espécie de socialismo-anarquista ou estilo de vida nômade e à vida em comunhão com a natureza, negavam o nacionalismo e a Guerra do Vietname, bem como todas as guerras, abraçavam aspectos de religiões como o budismo, hinduismo, e/ou as religiões das culturas nativas norte-americanas e estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana e das economias capitalistas e totalitárias. Eles enxergavam o patriarcalismo, o militarismo, o poder governamental, as corporações industriais, a massificação, o capitalismo, o autoritarismo e os valores sociais tradicionais como parte de uma "instituição" única, e que não tinha legitimidade.


Origens

O termo derivou da palavra em inglês hipster, que designava as pessoas nos EUA que se envolviam com a cultura negra, e.x.: Harry The Hipster Gibson. Em 6 de setembro de 1965, o termo hippie foi utilizado pela primeira vez, em um jornal de São Francisco, um artigo do jornalista Michael Smith. * A eclosão do movimento se deu em consequencia do surgimento da chamada Geração Beat, os beatniks, uma leva de escritores e artistas que, primeiramente, assumiram os comportamentos copiados pelos hippies.

Com a palavra "beat", John Lennon, transformado em um dos principais porta-vozes pop do movimento hippie, criou o nome da sua banda - The Beatles. Tanto o termo beatnik como o termo hippie assumiam sentido pejorativo para a grande massa norte-americana.


Estilo e comportamento


Nos anos 60, muitos jovens passaram a contestar a sociedade e a pôr em causa os valores tradicionais e o poder militar e econômico. Esses movimentos de contestação iniciaram-se nos EUA, impulsinados por músicos e artistas em geral.

Os hippies defendiam o amor livre e a não-violência.

Como grupo, os hippies tendem a viver em comunidades coletivistas ou de forma nômade, vivendo e produzindo independentemente dos mercados formais, usam cabelos e barbas mais compridos do que era considerado "elegante" na época do seu surgimento. Muita gente não associada à contracultura considerava os cabelos compridos uma ofensa, em parte por causa da atitude iconoclasta dos hippies, às vezes por acharem "anti-higiênicos" ou os considerarem "coisa de mulher".

Foi quando a peça musical Hair saiu do circuito chamado off-Broadway para um grande teatro da Broadway em 1968, que a contracultura hippie já estava se diversificando e saindo dos centros urbanos tradicionais.

Os Hippies não pararam de fazer protestos contra a Guerra do Vietnã, cujo propósito era acabar com a guerra. A massa dos hippies eram soldados que voltaram depois de ter contato com os Indianos e a cultura oriental que, a partir desse contato, se inspiraram na religião e no jeito de viver para protestarem.

Seu principal símbolo era a Figura circular com 3 intervalos iguais.


Gírias

As gírias hippies surgiram no Brasil principalmente nos anos 70 e se tornaram tendência entre os jovens e atualmente são usadas com menos freqüencia, mas muitas nunca deixaram de ser usadas por jovens e "coroas" (que é uma gíria hippie).

* Paz e amor - Tranquilo, tudo bem
* Arquibaldo - Torcedor de arquibancada
* Barra - Dificuldade
* Bicho - Amigo
* Parada - Negócio
* Bicho Grilo - Hippie
* Bichogrilês - Idioma dos Hippies
* Biônico - Político nomeado pelo governo
* Bode - Confusão
* Patota - Galera
* Capanga - Bolsa
* Chacrinha - Conversa sem objetivos
* Coroa - pessoa não-jovem (mais de 50 anos)
* Dar o cano - quebrar compromissos
* Dar um giro - sair, passear
* Eu tô que tô - Eu Estou bem
* Fazer a cabeça - mudar a cabeça de alguém
* Parafrentex - Atual
* Psicodélico - Estranho
* Geraldino - Torcedor de geral
* Goiaba - Bobo
* Jóia - Tudo bem
* Podes crer - Acredite; tá-se bem
* Repeteco - Repetição
* Cara - pessoa, usado para mulheres e homens
* Sacar - entender
* Pô - Exclamação de contrariedade
* Meu - pessoa, cara
* Massa - Legal
* Não dá nada - não tem problema
* Corta essa! - desiste, muda (exclamação)
* Mudar a cabeça - mudar o modo de pensar
* Acertar as cabeças - combinar (pessoas)
* Falou e disse - disse tudo
* Velha e velho - pai e mãe
* Véio - amigo
* Caô - conversa fiada; mentira
* Falou - Tchau, Até Mais


Outras características associadas aos hippies

* Roupas velhas e naturalmente rasgadas, para ir em oposição ao consumismo, ou então roupas com cores berrantes para fazer apologia a psicodelia, além de diversos outros estilos incomuns (tais como calças boca-de-sino, camisas tingidas, roupas de inspiração indiana).
* Predileção por certos estilos de música, como rock psicodélico Rolling Stones, The Beatles, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Quicksilver Messenger Service, The Doors, Pink Floyd, The Kinks, Bob Dylan, Raul Seixas, Neil Young, Mutantes, Zé Ramalho, Secos e Molhados, os tropicalistas (Caetano, Gil, etc), Novos Baianos, A Barca do Sol , soft rock como Sonny & Cher ,Hard Rock como The Who, e em alguns casos até o grunge como Nirvana. Também apreciavam o Goa Trance, isto, quando hippies viajantes, buscadores espirituais e um sem-número de pessoas ligadas a manifestações de contracultura, munidos de conhecimento técnico de produção de música electrónica e de um puro desejo de curtir e experimentar, desenvolveram, de forma intuitiva, um novo estilo sonoro. Um dos principais fundadores deste movimento foi Goa Gil.
* Às vezes tocar músicas nas casas de amigos ou em festas ao ar livre como na famosa "Human Be-In" de San Francisco, ou no Festival de Woodstock em 1969. Atualmente, há o chamado Burning Man Festival.
* Amor livre e sem distinções.
* Ideais anarquistas de comunidades igualitárias e total liberdade não violenta.
* Rejeição à produtos de beleza, giletes de barbear, shampoos ou outros instrumentos artificiais.
* Vida em comunidades onde todos os ditames do capitalismo são deixados de lado. Por exemplo, todos os moradores exercem uma função dentro da comunidade, as decisões são tomadas em conjunto, normalmente é praticada a agricultura de subsistência e o comércio entre os moradores é realizado através da troca. Existem comunidades hippies espalhadas no mundo inteiro; vivem para a subsistência.
* O incenso e meditação são parte integrante da cultura hippie pelo seu caráter simbólico e quase religiosos;
* Uso de drogas como marijuana (maconha), haxixe, e alucinógenos como o LSD e psilocibina (alcalóide extraído de um cogumelo), visando a "liberação da mente", seguindo as idéias dos beats e de Timothy Leary, um psicólogo proponente dos benefícios terapêuticos e espirituais do LSD. Porém muitos consideravam o cigarro feito de tabaco como prejudicial à saúde. O uso da maconha era exaltado também por sua natureza iconoclasta e ilícita, mais do que por seus efeitos psico-farmacêuticos;
* Culto pelo prazer livre, seja ele físico, sexual ou intelectual.
* Repúdio à ganância e à falsidade.
* Quanto à participação política, mostravam algum interesse, mas nunca de maneira tradicional. Eram adeptos do pacifismo e, contrários à guerra do Vietnã, participaram de algumas manifestações anti-guerra dos anos 60, não todas, como se acredita. Nos EUA, pregaram o "poder para o povo". Muitos não se envolvem em qualquer tipo de manifestação política por privilegiarem muito mais o bem estar da alma e do indivíduo, mas assumem uma postura tendente à esquerda, geralmente elevando ideais anarquistas ou socialistas. São contra qualquer tipo de autoritarismo e preocupados com as questões sociais como a discriminação racial, sexual, etc.
* Fome intelectual insaciável. Raramente são adeptos à muitas inovações tecnologicas, preferindo uma vida distante de prazeres materiais.
* Misticismo.


Legado


Por volta de 1970, muito do estilo hippie se tornou parte da cultura principal, disseminando a sua essência por todas as áreas das sociedades atuais. A liberdade sexual, a não-discriminação das minorias, o ambientalismo e o misticismo atual são, em larga medida, produto da contestação hippie No entanto, a grande imprensa perdeu seu interesse na subcultura hippie como tal, apesar de muitos hippies terem continuado a manter uma profunda ligação com a mesma. Como os hippies tenderam a evitar publicidade após a era do Verão do Amor e de Woodstock, surgiu um mito popular de que o movimento hippie não mais existia. De fato, ele continuou a existir em comunidades mundo afora, como andarilhos que acompanhavam suas bandas preferidas, ou às vezes nos interstícios da economia global. Ainda hoje, muitos se encontram em festivais e encontros para celebrar a vida e o amor, como no Peace Fest e nas reuniões da família arco-íris.

No Brasil temos algumas comunidades Hippes espalhadas por praias e comunidades alternativas. Neste contexto, destacam-se a cidade mineira de São Tomé das Letras, o vilarejo Trindade em Parati, RJ, Pirenópolis em Goias, Trancoso na Bahia, etc. No cenario musical, destacam-se o cantor Raul Seixas (que provavelmente veio a ser o maior cantor hippie da historia nacional) e a banda Mutantes, que fizeram grande sucesso nos anos 60 e 70 e tem milhares de fãs ainda hoje. Na cena musical contemporânea, destaca-se o cantor Ventania, baseado em São Tomé das Letras, MG. Ventania tem em seu repertório inumeras obras, que falam desde o livre pensar ao desapego material, cultuando a natureza e os ideais Hippes.


Fora do Brasil , existiam vários artistas hippies , entre eles está Jimi Hendrix , (que talvez seja a maior celebridade hippie internacional)

Hip-Hoppers


O hip hop é um movimento cultural iniciado no final da década de 1970 nos Estados Unidos como forma de reação aos conflitos sociais e à violência sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana. É uma espécie de cultura das ruas, um movimento de reivindicação de espaço e voz das periferias, traduzido nas letras questionadoras e agressivas, no ritmo forte e intenso e nas imagens grafitadas pelos muros das cidades.

O hip hop como movimento cultural é composto por quatro manifestações artísticas principais: MCing, que anima a festa com suas rimas improvisadas, a instrumentação dos DJs, a dança do breakdance e a pintura do grafite. Tendo começado em Bronx, a cultura hip hop emergiu rapidamente para o mundo todo.

A música hip hop não deve ser confundida com o rap (rhythm and poetry), pois este tem estrutura divergente da música hip hop em vários pontos, apesar de terem pontos em comum. Existem rappers que não tocam hip hop, como Eminem e Racionais MC's, assim como existem músicos de hip hop que não fazem rap.[carece de fontes?] A premiação da MTV americana, o Video Music Awards, por exemplo, conta com duas categorias distintas: uma para melhor clipe de rap e outra para melhor clip de hip hop.

No Brasil, o movimento hip-hop foi adotado, sobretudo, pelos jovens negros e pobres de cidades grandes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba, como forma de discussão e protesto contra o preconceito racial, a miséria e a exclusão. Como movimento cultural, o hip-hop tem servido como ferramenta de integração social e mesmo de re-socialização de jovens das periferias no sentido de romper com essa realidade.


História

O hip-hop emergiu em meados da década de 1970 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. As gangues funcionavam como um sistema opressor dentro das próprias periferias - quem fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora, sempre conhecia os territórios e as regras impostas por elas,devendo segui-las rigidamente.

Esses bairros eram essencialmente habitados por imigrantes do Caribe, vindos principalmente da Jamaica. Por lá existiam festas de rua com equipamentos sonoros ou carros de som muito possantes chamados de Sound System (carros equipados com equipamentos de som, parecidos com trios elétricos). Os Sound System foram levados para o Bronx, um dos bairros de Nova Iorque de maioria negra, pelo DJ Kool Herc, que com doze anos migrou para os Estados Unidos com sua família. Foi Herc quem introduziu o Toast (modo de cantar com levadas bem fraseadas e rimas bem feitas, muitas vezes bem politizadas e outras banais e sexuais, cantadas em cima de reggae instrumental), que daria origem ao rap.

Neste contexto, nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, formas próprias, dos jovens ligados àquele movimento, de se fazer música, dança, poesia e pintura. Os DJs Afrika Bambaataa, Kool Herc e Grand Master Flash, GrandWizard Theodore, GrandMixer DST (hoje DXT), Holywood e Pete Jones, entre outros, observaram e participaram destas expressões de rua, e começaram a organizar festas nas quais estas manifestações tinham espaço - assim nasceram as Block Parties.

As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a freqüentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado hoje o padrinho da cultura hip-hop, o idealizador da junção dos elementos, criador do termo hip-hop e por anos tido como "master of records" (mestre dos discos), por sua vasta coleção de discos de vinil.

DJ Hollywood foi um DJ de grande importância para o movimento. Apesar de tocar ritmos mais pop como a discoteca, foi o primeiro a introduzir em suas festas MCs que animavam com rimas e frases que deram início ao rap. Os MCs passaram a fazer discursos rimados sobre a comunidade, à festa e outros aspectos da vida cotidiana. Taki 183, o grande mestre do Pixo, fez uma revolução em Nova Iorque ao lançar suas "Tags" por toda cidade, sendo noticiado até no New York Times à época. Depois dele vieram Blade, Zephyr, Seen, Dondi, Futura 2000, Lady Pink, Phase 2, entre outros.

Em 12 de novembro de 1973 foi criada a primeira organização que tinha em seus interesses o hip hop, cuja sede estava situada no bairro do Bronx. A Zulu Nation tem como objetivo acabar com os vários problemas dos jovens dos subúrbios, especialmente a violência. Começaram a organizar "batalhas" não violentas entre gangues com um objetivo pacificador. As batalhas consistiam em uma competição artística.


Hip Hop e a música eletrônica


Entre as diferentes manifestações artísticas do movimento hip hop, a música se insere como papel primordial para inúmeras variações existentes em nossos dias. Além dos DJs, MCs, das mixagens e do Rap, a bateria eletrônica e os sintetizadores complementaram o âmbito das discotecas. Tudo começou quando Afrika Bambaataa resolveu criar uma batida base para suas músicas inspirando-se num álbum do grupo musical criador do estilo techno, Kraftwerk. O sucesso foi de imediato com a música "Planet Rock", fazendo de sua batida eletrônica a mais copiada para composição de muitas outras músicas. Surgia o eletrofunk, que por sua vez derivou-se em muitos outros estilos, como por exemplo, o miami bass e o freestyle
No Brasil

O berço do hip hop brasileiro é São Paulo, onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais encontros na rua 24 de Maio e no metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde, DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill, Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais MCs, MV Bill, Doctors MCs, Shary Laine, M.T. Bronks, Rappin Hood, entre outros.

Atualmente existem diversos grupos que representam a cultura hip hop no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation Brasil, Casa de Cultura Hip Hop, Posse Hausa (São Bernardo do Campo), Associação de Hip Hop de Bauru, Cedeca, Cufa (Central Única das Favelas). A principal premiação do hip hop no país é o Prêmio Hutúz, em cerimônia realizada todo ano. É organizado pelo Hutúz e é considerado o maior da América Latina.



Multidimensionalidade do hip hop



Segundo Alejandro Frigerio, a principal característica das artes negras é seu caráter multidimensional, denso. A performance mistura, em níveis sucessivos, gêneros que para a cultura ocidental seriam diferentes e separados (músicas, poesia, dança, pintura). A interpretação, a fusão de todos esses elementos que faz dela uma forma artística que não seria equivalente à soma dos elementos separados. Para compreender a multidimensionalidade da performace, é necessário fazê-lo em seu contexto social. Fora deste contexto social, somente se compreenderiam alguns dos elementos, mas não só como um conjunto de dança, música, poesia e artes plásticas, senão como uma performace inserida num contexto social, neste caso marginal, cheio de problemas sociais, educacionais e de exclusão social. Este contexto social é o que dá sentido à performance.



A importância do estilo pessoal



O diálogo entre a performance e a realça e o caráter criativo da performance. "O contraponto com um interlocutor também leva ambas performace a maiores e melhores desempenhos". O estilo pessoal é de grande importância na performance porque as características próprias de cada performace acrescentam as possibilidades de inovação e de criação de novos estilos. "Espera-se que o performace não só seja competente, mas que também possua um estilo próprio, o que pode ser observado na cultura negra urbana contemporânea, por exemplo, em todos os aspectos do hip-hop". O estilo pessoal não se valoriza em situações de representação, também é importante em todos os aspectos da vida cotidiana (estética, cumprimento, fala etc).


Cinco pilares


DJ (disc-jockey)


Operador de discos, que faz bases e colagens rítmicas sobre as quais se articulam os outros elementos, hoje o DJ é considerado um músico, após a introdução dos scratches de GradMixer DST na canção "Rock it" de Herbie Hancock, que representa um incremento da composição e não somente um efeito. O breakbeat é a criação de uma batida em cima de composições já existentes, uma espécie de loop. Seu criador DJ Kool Herc desenvolveu esta técnica possibilitando B.Boys a dançarem e MCs a cantarem. O Beat-Juggling já é a criação de composições as pelos DJ nos toca-discos, com discos e canções diferentes. Há diversos tipos de DJs: o DJ de grupo, de baile/festas/aniversários/eventos em geral e o DJ de competição. Este por sua vez, faz da técnica e criatividade, os elementos essências para despertar e prender a atenção do público. Um DJ de competição é um DJ que desenvolve e realiza apresentações contendo scratchs, batidas e até frases recortadas de diferentes discos (samples). Esses DJs competem entre si usando todo e qualquer trecho musical de um vinil.


Rapping

O rap é um ritmo de música parecido com o hip hop, que engloba principalmente rimas, e é um dos cinco pilares da cultura hip hop. A tradução literal de rap é Rhythm and Poetry,ou seja, uma poesia feita através de rimas, geralmente feitas em uma velocidade superior à do hip hop, tendo como exemplo o grupo The Last Poets. O rap na maioria das vezes é feito sem acompanhamento de nenhum instrumento, ou simplesmente um DJ mixer.


MC (master of cerimonies)

Mestre de Cerimônia, é o porta-voz que relata, através de articulações de rimas, os problemas, carências e experiências em geral dos guetos. Não só descreve, também lança mensagens de alerta e orientação, o MC tem como principal função animar uma festa e contribuir com as pessoas para se divertirem. Muitos MCs no início do hip-hop davam recados, mandavam cantadas e simplesmente animavam as festas com algumas rimas. O primeiro MC foi Coke La Rock, MC que animava as festas de Kool Herc.No Brasil os primeiros rimadores foram Jair Rodrigues, Gabriel o pensador entre grupos como balinhas do rap, Thaíde e DJ Hum, Racionais Mcs.O MC é aquele que através de suas rimas mostra as varias formas de reivindicação, angustias e injustiças com as classes socias mais desfavoraveis mostrando o poder da transformação.


Break dance

Break Dance (B-boying, Popping e Locking), por convenção, chama-se todas essas danças de Break Dance. Apesar de terem a mesma origem, são de lugares distintos e por isso apresentam influências das mais variadas. Desde o início da década de 1960, quando a onda de música negra assolou os Estados Unidos, a população das grandes cidades sentia uma maior proximidade com estes artistas, principalmente por sua maneira verdadeira de demonstrar a alma em suas canções. As gangues da época usavam o break para disputar território, a gangue que se destacava melhor era a que comandava o território.A dança é inspirada nos movimentos da guerra.


Grafite

Expressão plástica, o grafite representa desenhos, apelidos ou mensagens sobre qualquer assunto, feitas com spray, rolinho e pincel em muros ou paredes. Sendo considerado por muitos uma forma de arte, diferente do "picho", que têm outra função de apenas deixar sua marca, o grafite é usado por muitos como forma de expressão e denúncia.


Impacto Social


Dança


A dança hip hop inclui uma grande variedade de estilos, nomeadamente breaking, locking, popping, e krumping. Breaking, locking e popping foram desenvolvidos na década de 1970 por negros e Latino-americanos. O krumping surgiu na década de 1990, em comunidades Afro-americanas, em Los Angeles. O que separa a dança do hip hop de outras formas de dança são os movimentos de improvisação (freestyle) e que os dançarinos de hip-hop freqüentemente se envolvem em disputas nas competições de dança. Sessões de Freestyle e disputas geralmente são realizadas em uma cipher, um espaço de dança circular que se forma naturalmente uma vez que a dança começa.



Moda



A moda do hip hop é um estilo de se vestir de origem afro-americana, caribenha e latina, que teve origem no bairro The 5 Boroughs, em Nova Iorque, e mais tarde influenciou em cenas do hip hop em Los Angeles, Galesburg, Brooklyn, Chicago, Filadélfia, Detroit, Porto Rico, entre outros. Cada cidade contribuiu com vários elementos para o seu estilo geral visto hoje no mundo inteiro.

Geralmente, as roupas que são utilizadas no hip hop são largas, para que os movimentos fiquem maiores, dando mais efeito visual para a dança. Também são utilizados bonés, muitas vezes virados para trás ou de lado. Na maioria das vezes, as roupas são vistosas.

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